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Goiás lança Lumi: conheça a nova inteligência artificial brasileira

Desenvolvido pelo Ceia-UFG, o modelo de linguagem Lumi é voltado para o setor corporativo e visa reduzir a dependência de tecnologias internacionais.

Redação Asteron (IA revisada)3 min de leitura
Edifício comercial moderno com arquitetura contemporânea e fachada de vidro sob céu azul.
Edifício comercial moderno com arquitetura contemporânea e fachada de vidro sob céu azul. Foto: MylanV / Wikimedia (CC BY-SA 3.0)

O Lumi é o mais novo modelo de linguagem (LLM) estruturado no Brasil com foco na realidade e no idioma locais. A ferramenta foi projetada pela equipe do Centro de Excelência em Inteligência Artificial, órgão vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG), e teve sua apresentação oficial realizada em 28 de outubro de 2026, durante o evento AI Brasil Experience, em São Paulo. O principal objetivo do projeto é oferecer uma alternativa de código aberto para que o meio empresarial possa criar sistemas próprios sem depender de plataformas internacionais.

A proposta principal da iniciativa é permitir que negócios locais implementem soluções tecnológicas avançadas utilizando infraestrutura própria. De acordo com o diretor de Inovação do Ceia-UFG, Arlindo Galvão, o Lumi atua para apoiar o empreendedor que já possui conhecimento e dados, mas enfrenta dificuldades para custear ferramentas em moeda estrangeira. Dessa forma, a tecnologia ajuda a cortar custos de operação e reduz a dependência de serviços cobrados em dólar.

Como funciona o Lumi e quais suas especificações técnicas

O Lumi é um modelo-base estruturado com 4 bilhões de parâmetros, dimensões calculadas para que ele possa ser executado em infraestruturas computacionais mais baratas e acessíveis. Isso significa que ele não vem no formato de aplicativo ou chat pronto para o consumidor final, como ocorre em serviços populares de conversa. Em vez disso, a ferramenta serve de base para que equipes de desenvolvimento façam o download e realizem ajustes finos com suas próprias bases de dados, processo conhecido no setor como fine-tuning.

Para quem deseja aplicar a tecnologia, o download do Lumi é gratuito na plataforma Hugging Face. Contudo, empresas devem ficar atentas, pois a documentação da licença comercial do modelo ainda precisava ser finalizada na data de seu lançamento. O foco primário do projeto é atender demandas corporativas e permitir que dados estratégicos permaneçam armazenados em servidores locais, sem a necessidade de envio para infraestruturas externas.

Investimentos estaduais e o impacto econômico em Goiás

O desenvolvimento da nova IA faz parte de um conjunto de investimentos públicos na pesquisa científica de Goiás. O governo estadual destinou cerca de R$ 91 milhões ao Ceia-UFG por meio de dois acordos financeiros: o primeiro no valor de R$ 13 milhões e o segundo totalizando R$ 78 milhões. A instituição conta com um corpo de mais de mil pesquisadores dedicados e apresenta em seu histórico o atendimento a mais de uma centena de clientes do setor corporativo.

Durante a apresentação do Lumi, o governador eleito Daniel Vilela destacou a expectativa de que o polo de pesquisa impulsione a economia regional. As tecnologias geradas pelo centro já ajudaram a atrair mais de R$ 500 milhões em aportes privados, com projetos utilizados por grandes corporações como Google, iFood, Itaú, Natura, Vivo, WEG, Cemig e Volkswagen Caminhões. Outros projetos estaduais incluem o programa IA Contra o Crime e a criação do Pequi Bank, instituição apresentada como o primeiro banco digital público do país.

O cenário de modelos de linguagem nacionais

O lançamento do Lumi insere Goiás em um ecossistema crescente de tecnologias desenvolvidas no país. Além do modelo da UFG, o mercado brasileiro conta com outras iniciativas voltadas para nichos específicos. É o caso do Sabiá, desenvolvido pela startup Maritaca AI para conversação em geral, e da Amazônia IA, criada pela empresa WideLabs. No setor governamental, destaca-se o SoberanIA, voltado para a gestão pública com o modelo Soberano 1 de 30 bilhões de parâmetros.

A criação de modelos nacionais ganha relevância por permitir o treinamento de algoritmos com foco na língua portuguesa e no contexto do país. Manter a infraestrutura de processamento no Brasil ou nos próprios servidores do cliente facilita a adequação às normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e garante maior autonomia tecnológica.

O passo seguinte a ser acompanhado pelo mercado é a liberação formal da documentação da licença no Hugging Face, etapa indispensável para a adoção comercial segura do Lumi por corporações e startups.

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